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Que tipo de normalidade a sociedade quer?

Com o avanço da pandemia temos acompanhado o sentimento de incerteza da população ligada ao espetáculo de diversas desigualdades nos tempos atuais.

Neste sentido, grande parte da população está pedindo o retorno das atividades comerciais e que volte à normalidade nas cidades. Porém, nasce aqui uma pergunta: que tipo de normalidade estão pedindo? Pois, atrás do “normal” que estão pedindo existem as marginalizações, os desempregos, os crimes, a falta de segurança nos bairros e o clima de medo que sempre viveram as pessoas no cotidiano de suas vidas. Isso não pode ser interpretado como normal.

Todos nós temos medo de sofrer acontecimentos “traumáticos” na vida e muitas vezes, esse medo direciona a nossa vida para aceitar como normal o que deveria ser transformado.

As rotinas diárias são aceitas pelo compromisso social, pelo hábito, necessidade, medo da mudança ou obrigação. Na maioria das vezes isso acontece inconscientemente. Reflita: até que ponto aceito como normal o que está me prejudicando enquanto pessoa? É correto permitir que meu espaço seja desrespeitado continuamente? Qual é o limite e como lidar com tudo o que me desagrada?

Sentimos impotência e culpa por percebermos que muitas dessas coisas desagradáveis isolam nossa capacidade de sermos críticos. Voltar a esse tipo de “normalidade” não irá contribuir para a esperança das pessoas.

É necessário que esta experiência dolorosa que estamos passando com a pandemia seja motivo de mudança no próprio modo de existir no mundo, na educação, nas linhas sociais marginalizadas e na política.

Devemos ser conscientes que a construção do mundo em que vivemos é produto resultante da ação humana, por isso não adianta apenas usar uma solução de “fim de tubo”, punir depois que o ato foi realizado, é preciso encaminhar todos pela consciência do que é ser um cidadão, o que é viver em uma comunidade onde todos zelam pelo bem-estar comum. Nós, cidadãos, devemos ser fiscalizadores e atuantes, sem burlar as próprias autoridades competentes.

O melhor caminho é trabalhar para que comportamentos antissociais mudem na raiz da questão. Não é voltar à normalidade! É necessário transformar o que era “normal” para melhor. Ainda dependemos, e muito, de um sistema híbrido de educação para reverter essa situação. Ultrapassar essa ideologia de classe e mudar a forma como as pessoas se relacionam com o mundo. Nossas bases devem ser conscientizadas para alteração dessa ideia de normalidade errônea com ações transformadoras em nossa sociedade.

Por Fernando Acácio de Oliveira

Professor de Filosofia da Rede Estadual de Educação do ES.

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