quarta-feira ,3 junho 2020
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Medo da Covid-19 afasta pessoas com câncer dos consultórios

Médico alerta que interromper tratamentos oncológicos na pandemia pode agravar tumor ou fazer com que o paciente perca chance de cura.

Carlos Rebello é radio-oncologista do IRV. Crédito: Julia Terayama

O medo de contaminação pelo coronavírus tem afastado pessoas portadoras de doenças crônicas, como câncer, cardiopatias, hipertensão e diabetes dos consultórios médicos e de seus tratamentos regulares, atitude que não é recomendada por especialistas.

Registros de março da Sociedade Brasileira de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista apontam queda de 50% nos atendimentos a pacientes com infarto em comparação com o mesmo mês em 2019.

A Sociedade Brasileira de Radioterapia (SBRT) e a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) não possuem estatísticas oficiais, mas médicos já perceberam que pacientes antes frequentes em suas consultas e sessões estão deixando de ir por medo do coronavírus.

Embora o distanciamento social seja recomendado pelas autoridades em saúde pública, cardíacos, pessoas com câncer, diabéticos e imunodeprimidos não podem esperar a pandemia passar para só então voltarem a tratar doenças já existentes.

“O câncer não vai parar e esperar o coronavírus passar. As células, se não tratadas, vão se multiplicar e daí o paciente pode perder a chance de cura ou controle da doença. A orientação é passar no médico para melhor informação e não tomar decisão precipitada que pode levar a um grande problema depois”, afirma o radio-oncologista Carlos Rebello, diretor do Instituto de Radioterapia Vitória (IRV).

O médico explica que o paciente com câncer é considerado grave e seu tratamento é de urgência.

“Se não for tratado, há um risco de morte. Estamos passando por um momento muito delicado, de muita pressão psicológica com essa pandemia, mas sabemos que vai passar. Importante é não deixar de tratar. Fazemos nossa parte, que é cuidar. Se não conseguirmos curar, tentamos aliviar e confortar”, destaca o especialista.

Carlos Rebello aconselha quem precisa sair de casa para consultas e sessões que usem máscaras de tecido, conforme orientação da Organização Mundial da Saúde (OMS). Esse tipo de proteção, que deve ser trocada a cada duas horas de uso, impede a disseminação de gotículas que saem do nariz ou da boca.

“A máscara de pano pode ser usada sem problema algum. O importante é ter atenção às medidas de higiene, como lavar bem as mãos com água e sabão, e usar o álcool gel. Isso é autocuidado. Se ela ficar úmida, tem que ser trocada. Pode lavar com sabão ou água sanitária. Também não deve ser compartilhada. E atenção ao colocar: segure pelos elásticos, tendo cuidado de não tocar o nariz e a boca com as mãos”, explica.

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